28 de set. de 2019

Complementares



A vida é mesmo, muito engraçada!
Como pode duas pessoas com a mesma idade, viverem por tanto tempo em uma cidade sem se conhecerem, sem se esbarrarem?
Principalmente se a cidade é Araraquara e estamos falando dos anos 80, quando a cidade tinha 128.109 habitantes.
Ambos moravam no mesmo bairro, frequentavam os mesmos lugares de lazer, passeavam pelos mesmos lugares e até estudavam perto um do outro.
Mesmo assim, um não tem lembrança do outro.
Caso tivessem se encontrado no passado? Quais rumos suas vidas tinham seguido?
Teriam se interessado um pelo outro? Teriam começado um namoro? Estariam juntos até hoje?
Provavelmente, não!
Não estariam prontos um para o outro.
Precisavam adquirir conhecimento, experiências, referências, maturidade e especialmente, no caso dos dois... paciência e compreensão, pois são dois estopins curtos. Não usam mais ferraduras de ferro, que hoje foram trocadas por pedaços de borracha, mas, continuam com seus cascos afiados.
Viveram em  mundos paralelos.
Provavelmente, se esbarraram em muitos locais, ao longo dos anos.
Agora que estão prontos para a vida que terão, em comum, até o fim dos tempos, finalmente se encontraram, em meio a uma população que praticamente dobrou e, hoje, chega a 236.072 habitantes.
Depois do encontro, dias de descobertas e ajustes foram necessários (sempre serão), para essa nova etapa de vida, até que chega o dia de firmarem compromisso de seguirem juntos.
E o que era mundo paralelo, agora se tornou mundo complementar.
Com uma lista interminável de gostos em comum, diferenças a serem respeitadas, conhecimentos e habilidades complementares, os que eram dois, agora, se tornam um.
O tempo passa rápido, enquanto conversam e se divertem e ele fica olhando o brilho dela.
O brilho da menina que ri e fala, ao mesmo tempo.