1 de dez de 2007

Histórias de charutos e amor ao ofício

Josué Eiras, um dos mais antigos comerciantes do Mercado Municipal, conta suas histórias
Foto: Mastrangelo Reino

Por FERNANDA MANECOLO
Tribuna Impressa – 07/06/2006 – Caderno Cidade
Quando o Mercado Municipal, no Centro de Araraquara, era o maior local de comercio na região, Josué Eiras, de 64 anos, aprendia os ofícios de comerciante com um tio, dono de uma tabacaria no local. Os anos passaram e Eiras comercializa de tudo, incluindo eletroeletrônicos portáteis, e guarda boas historias em seus 43 anos de vida profissional.
"O segredo e atender bem os clientes", afirma Josué Eiras, de 64 anos, um dos mais antigos comerciantes do Mercado Municipal de Araraquara, dono de duas charutarias e uma loja de artigos country.
O comerciante vende fumo ha 43 anos, para anônimos e famosos - Gilberto Gil foi um de seus fregueses ilustres - e é uma das figuras mais conhecidas do Mercadão, apesar de falar pouco. "Falo apenas o necessário", retruca.
Para entender a historia de Josué e seu amor pelo oficio, e preciso voltar aos anos 60, mais precisamente em 1963, quando o jovem de 21 anos deixou a cidade de Cambuí, em Minas Gerais, para conseguir um trabalho no Estado de São Paulo. "Em Minas, as coisas eram muito difíceis. Trabalhava desde os 12 anos em balcões de lojas e mercearias, mas não tinha futuro”.Quando chegou em Araraquara encontrou o tio, Benedito Eiras, que desde 1959 mantinha a charutaria Mineira no Mercado Municipal. Josué começou a ajudar o tio, vendendo fumo de corda, palha e canivete. "Com ele, aprendi tudo o que sei hoje. Meu tio tinha grande experiência com fumo e, se não fosse isto, não teria me mantido no Mercado por tanto tempo. O publico, principalmente daquela época, era bastante exigente", lembra Josué.
Na década de 60, o Merca­dão era o centro de consumo de toda a região e, "por isso, sempre estava cheio". Graças à boa freguesia, em 1966, Josué, que já havia aprendido o oficio, abriu sua própria charutaria, em frente à do tio. "Não éramos concorrentes, éramos parceiros", relembra.
Ampliação dos negócios
O comerciante se casou no final da década de 60 e teve quatro filhos. "Quando eram pequenos, eles gostavam de me ajudar, agora só um deles trabalha comigo. Todos se formaram na faculdade. Esforcei-me muito para isto". Nos tempos áureos da tabacaria, entre as décadas de 70 e 80, Josué retornou a Minas Gerais com a intenção de trazer os pais e quatro irmãos para Araraquara. "Apenas um irmão aceitou o convite e montei uma tabacaria para ele, em São Carlos", conta.
Em 1996, Eiras comprou a tabacaria do tio e criou uma outra loja no Mercadão, a JR Calcados, que vende artigos country e de couro. A principio, a tabacaria do Mercadão vendia fumo e derivados, mas com o tempo, para manter a freguesia, Eiras foi diversificando a mercadoria. Hoje, são vendidos chapéus, botas, bolsas, aparelhos eletrônicos entre outros produtos. "Conforme os clientes pedem, eu vou modificando os produtos que vendo", afirma ele, enfatizando que este e um dos segredos de um bom comerciante.

Fonte: Historias-de-charutos-e-amor-ao-oficio